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Archive for the ‘Industria de Caminhões no Brasil’ Category

Desafios para o Setor Automotivo.

February 26, 2015 Leave a comment

O que esperar nos próximos dois anos – 2015 e 2016

A MA8 Management Consulting Group publicou o resumo de um estudo amplo sobre o setor automotivo no País. Trata-se de um trabalho complexo com mais de 300 páginas. Extraí alguns highlights sobre os desafios do setor e as projeções de curto prazo desse estudo.

2015-2016: O setor automotivo não é uma entidade beneficente, muito menos os bancos das montadoras.

Alguns dos elementos que influenciam o mercado automotivo possuem previsões conturbadas para 2015 e certamente impactarão o setor devido a:

  • Maior restrição de crédito e mais seletividade na análise e concessão pelas instituições financeiras.
  • Inflação e desemprego desencorajarão a assunção de novos financiamentos pelos consumidores.
  • Incerteza econômica e potencial instabilidade política.
  • Suspensão dos investimentos no setor, incluindo FDI.
  • Novos investimentos externos no setor serão colocados na geladeira até 2017.

CENÁRIO 1 – Contingencial. O Governo, as entidades patronais e as sindicais se unem em torno de um plano emergencial que evite um ano muito ruim no setor com impacto na economia. Mesmo assim as projeções são de queda em 2015 e relativa estabilidade em 2016.

CENÁRIO 2 – Inércia patronal, sindical e governamental. Nesse caso as projeções atuais são mantidas sem novos incentivos e programas que recuperem as vendas (incluindo plano de renovação de frota para carros e caminhões).

Nota: A MA8-MCG não considerou em suas projeções o potencial impacto de um blackout no BNDES que poderia resultar em suspensão de financiamentos nos setores de caminhões, ônibus e máquinas.

Projeções para o setor 2015-2016

Projeções para o setor 2015-2016

DESAFIOS do Setor Automotivo entre 2015 e 2017.

As montadoras deverão enfrentar desafios de curto prazo para que possam passar pelo período de turbulência e saírem fortes após 2017, quando o mercado retomará com a nova onda de crescimento da China.

  • Manter os fornecedores vivos e administrar as pressões de aumento de custos.
  • Inevitável aumento dos custos variáveis de produção.
  • Gestão da relação sindical e retorno das tensões grevistas.
  • Demanda por aumento de salários e manutenção dos empregos.
  • Inevitável necessidade de fazer ajustes em seus quadros de pessoal.
  • Restruturação e redução de custos fixos e administrativos.
  • Potencial fechamento de unidades menos produtivas.
  • Redução da rentabilidade das montadoras, que já sofreu queda real de 26% em US$ nos últimos 14 anos.
  • Manter as redes de concessionárias operantes, motivadas e saudáveis.
  • Gerenciar a descapitalização e o endividamento das concessionárias.
DESAFIOS DAS MONTADORAS

DESAFIOS DAS MONTADORAS

As montadoras que forem melhor sucedidas na manutenção da motivação e da rentabilidade de suas redes de concessionárias durante os próximos três anos sairão mais fortes no momento da retomada do mercado a partir de 2017. Desta forma, gestão e motivação das redes das concessionárias passam a ser o elemento chave na sustentação de toda cadeia do setor automotivo durante os próximos três anos.

EMPREGOS E DEMISSÕES. Com a demissão de mais de 12 mil empregados em 2014, o setor automotivo retornou aos níveis de emprego de 2011. Contudo, o faturamento anual por empregado no setor, que em 2010 era de US$ 720 mil/empregado, caiu para US$ 620 mil em 2014. O setor automotivo ainda precisa fazer ajustes no quadro de pessoal para retomar o equilíbrio entre produção, vendas, faturamento e quantidade de empregos. Qualquer movimento contrário ficará por conta das sete novas fábricas (linhas de montagem) que entrarão em produção “a regime” nos próximos dois anos.

Fonte: Boletim Automotivo da MA8-MCG de Fevereiro 2015

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A fatia de cada montadora no mercado estendido de caminhões

Após as divulgações da Fenabrave e Anfavea nesta semana sobre o balanço de 2014, adequamos os números do mercado de caminhões no Brasil ao que chamamos “Mercado Estendido Vocacionado”. As montadoras não gostam muito dessa classificação, mas as empresas de avaliação de negócios o consideram para determinação do fundo de comércio. 

Trata-se do mercado diesel na visão dos clientes, que movimenta e distribui cargas nas regiões metropolitanas e para as mais distantes. Nele o cliente considera também como opção de compra os furgões de 10 a 15 metros cúbicos ou caminhões semi-leves. O resultado é uma indústria de veículos comerciais a diesel com volume 35% maior do que a indústria de caminhões divulgada pelas entidades do setor.

Mercado de Caminhões

Mercado Estendido de Caminhões no Brasil

O gráfico mostra a fatia de cada montadora nesse mercado estendido e sua evolução nos últimos 4 anos.

Menções positivas devem ser feitas a Mercedes, Volvo e Renault, que sustentam crescimento no período. A Scania consegue deter uma fatia maior do que a Iveco, considerando que a primeira compete praticamente em um único segmento no setor. A Ford pagou com alguns pontos de market share a retirada da linha F, mas consegue se manter acima dos 10% neste fundo de comércio. Bongo e HR parecem ter encontrado o seu tamanho no mercado após uma sensível redução de participação. Tudo isso sob a influência mercadológica/financeira na qual cada ponto percentual de market share no setor de caminhões vale em média, US$ 300 milhões por ano para a montadora. Perder ou deixar de ganhar market share nesse mercado, além de representar um bom dano no caixa, estrangula as redes de concessionárias e “hipoteca” o futuro.    Janeiro, 08, 2015

MA8 – MCG  www.ma8consulting.com

Fenabrave divulga resultado de 2014, com otimismo para 2015

Parabéns a Volvo Caminhões

A FENABRAVE divulgou hoje os números de emplacamento no setor automotivo em 2014, sem muita surpresa. No topo da cadeia alimentar de carros e comerciais leves continuam 8 marcas detendo 90% do mercado, enquanto outras 42 marcas brigam pelos 10% restantes. O mercado total de 3,5 milhões de veículos recuou pouco mais de 7% em relação a 2013.

As previsões da Fenabrave são otimistas para 2015 e projetam uma pequena queda de 0,5% no mercado de veículos. Talvez eu seja mais cético ou realista – leia meu post “os fantasmas contra-atacam no setor automotivo“, de 04/01. Com um cenário tão complicado para 2015 eu não projetaria estabilidade em volume no setor automotivo, salvo o Ministro Joaquim Levy tire algum coelho da cartola e não tenhamos mais nenhuma crise de credibilidade em outras empresas estatais. Já basta uma.

volvo_logo_detailMas quero fazer uma menção especial a Volvo, que se consolidou como a 3a. marca de caminhões no Brasil com 14,4% de participação em 2014 (segundo os números da Fenabrave), ratificando o que se observara em 2013. Importante ressaltar que a Volvo ainda não atua em todos os segmentos do setor. Pode-se esperar que no futuro a empresa dispute a liderança no mercado de caminhões no País, quando lançar produtos nos segmentos médios e leves.

Parabéns a Volvo Caminhões e minha admiração para uma empresa que priorizou a qualidade, o pós-venda, o respeito as pessoas e principalmente a parceria com a sua Rede de Concessionárias. O resultado é esse: crescimento no mercado, com rentabilidade e uma rede de concessionárias saudável e motivada.

Orlando Merluzzi

Os fantasmas contra-atacam no setor automotivo

January 4, 2015 1 comment

Ano novo e velhos receios para o setor automotivo no Brasil

O. Merluzzi, da MA8-MCG

O. Merluzzi (*)

Antes de tudo, quero desejar um Feliz 2015 a todos, com votos de prosperidade e principalmente com a esperança de que o cenário que enxergamos para este ano, no setor automotivo, seja apenas uma miragem.

Sempre foi mais fácil fazer um balanço do que passou – no estilo engenheiro de obras feitas – do que projetar o que está por vir. É preciso ter coragem para atestar uma previsão de futuro, principalmente se for uma previsão ruim.

Bem, vou começar pelas “obras feitas” no setor automotivo em 2014.

O mercado brasileiro terminou o ano com 3,5 milhões de veículos emplacados entre carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Um “tombinho” de 7% em relação a 2013, mas mesmo assim, um resultado que divide com o ano de 2010 a posição de quarto (4º) melhor resultado da história no setor automotivo brasileiro. Melhor em volume, mas péssimo em rentabilidade para as montadoras e principalmente para as redes de concessionárias.

O mês de dezembro esboçou reação para carros de passeio, motivado pela ativação emocional do aumento de IPI e consolidou a retração do setor de caminhões, não só por causa do Finame que todos apontam como o vilão da história, mas também pelas incertezas da economia e das confusões na condução do “Olimpo”. O aumento de IPI – em média de 4,5% – representa pouco no preço efetivo de compra dos veículos, uma vez que a grande maioria das vendas é financiada e o aumento se dilui nas prestações. Por exemplo, para um carro de R$ 50.000, financiados em 48 meses, o aumento impactará a prestação mensal em um valor equivalente ao preço de uma pizza e para quem compra a vista, a diferença sai no preço como desconto em uma negociação. Portanto, seja para a compra a vista ou financiada, não justifica a corrida às lojas. Mas às vezes, uma boa promoção de vendas é aquela que melhor impede o consumidor de raciocinar em formato lógico. De toda forma, devo saudar o mês de dezembro de 2014 como um dos melhores em vendas de veículos em toda história do setor, com mais de 360 mil veículos no varejo.

2015: Agora vamos ao que interessa.

Prepare-se para as incertezas que pensávamos não mais existir nesse plano etéreo. O ano de 2015 será difícil para o setor automotivo, mas será terrível para as redes de concessionárias. Noites de terror para os titulares da rede.

O cenário político e econômico é o pior possível se levarmos em conta a bonança que vivemos nos últimos dez anos. Estão de volta os fantasmas que desestabilizam qualquer planejamento de curto prazo.

O Governo está diante de um painel de controle com muitas variáveis e tenho dúvidas se saberá apertar os botões corretos no momento certo. O aumento da taxa de juros – para conter a inflação – deve elevar os atuais 1,7% ao mês dos bancos privados para algo próximo de 2% na aquisição de novos veículos daqui a alguns meses. No caso dos bancos das montadoras a taxa é um pouco menor, mas subirá da mesma forma. A rentabilidade das montadoras despencou e dificilmente os subsídios para taxas de juros continuarão no ritmo de anos recentes. O crédito ficará ainda mais restrito e seletivo e aquela conversa de “maior facilidade para retomada do bem”, na prática terá pouca influência na benevolência das instituições financeiras – business is business

A MA8-MCG divulgará na próxima semana um estudo sobre o setor automotivo envolto em cenários recentes, presente e futuro. Com os pés no chão e a sensatez de um grupo de profissionais com mais de 40 anos de experiência no setor – que já viveu muito de tudo – a consultoria prevê nova queda em todos os segmentos e alerta para um iminente colapso nas redes de concessionárias, principalmente em caminhões.

O ano de 2015 começa com previsões negras exatamente sobre os fatores que sustentaram o crescimento do setor automotivo nos últimos dez anos. Haverá queda no nível de emprego e de renda, menos crédito para atividades de consumo e serviço, maior cautela do consumidor para endividar, retração salarial com aumento de custos variáveis na indústria, desistência de investimentos estrangeiros e inversões de FDI, diminuição das atividades da construção civil, possível turbulência no setor elétrico, aumento da safra com déficit de silos em ambiente de queda no valor das commodities, classificação limítrofe de ratings internacionais do país com juros externos maiores na captação, crise de credibilidade do país e das empresas estatais no exterior, menor atividade do BNDES no mercado, menor contribuição do Agronegócio na balança comercial, potencial crise russa, retração chinesa, inflação, dólar em alta, instabilidade política, baixo crescimento econômico, etc., etc..

Calma! Não se desespere. Os EUA estão no sentido inverso com sua economia em recuperação e ainda há a possibilidade de o Governo brasileiro fechar os olhos e apertar os botões corretos naquele painel de controle. Vai que ele acerta e atua para a responsabilidade fiscal, contenção de gastos públicos, meta de inflação firme, criação de um cenário menos burocrático para atrair investimentos e quem sabe, agir de forma competente para reverter a péssima imagem do País no exterior que está afugentando investidores, principalmente os asiáticos. Antes que eu esqueça, que bom seria abandonar o Mercosul – que pouco nos agrega e muito nos atrapalha – passando a fazer acordos comerciais ou bilaterais competentes e frutíferos para nossas atividades de comércio exterior, com blocos ou países mais interessantes como já fazem Chile, Colômbia, México e Peru.

Mediante o cenário acima seria irresponsabilidade prever aumento ou manutenção dos níveis atuais do setor automotivo para 2015 e até mesmo para 2016.

As sofríveis margens e a rentabilidade em toda cadeia automotiva devem continuar caindo e assim, um ajuste nos custos fixos e administrativos das empresas será necessário. Engana-se quem pensa que o setor automotivo brasileiro pratica margens elevadas, mas isso é tema para outra conversa.

Receio que novamente os estilhaços da explosão atinjam prioritariamente as concessionárias. Os estoques nas concessionárias de veículos, de mais da metade das marcas, não estão saudáveis e carregam custos financeiros desproporcionais em um momento de retração da atividade econômica. Tenho visto análises sobre estoques disponíveis para suprir 60 dias de vendas, mas quase ninguém comenta que muitos veículos estão há muitos meses nos pátios das concessionárias e para serem desovados, só um lado arcará com os prejuízos. Esta situação se observa em carros, comerciais leves e caminhões.

Há uma forma de a indústria automotiva manter viva a “galinha dos ovos de ouro”, ou seja, não repassar as penalidades do momento econômico para as suas redes de concessionárias, pois muitas não suportam mais os prejuízos acumulados – salvo raras exceções de grupos capitalizados e capilarizados.

Para algumas montadoras o prejuízo talvez seja inevitável, mas para algumas concessionárias a continuidade dos prejuízos poderá ser a sentença de morte e quando o mercado retomar em 2016 ou 2017, o exército não terá forças para avançar.

Juntando-se a tudo isso, novas fábricas de carros iniciaram recentemente a produção e vendas no Brasil e outras o farão nos próximos dois anos. Como afirmei em 2014 há espaço para todos, mas a briga vai ser épica.

Que sobrevivam os fortes e cresçam os que acreditam. Vamos juntos torcer para que o “Olimpo” se controle e tome as ações corretas para reverter esse quadro.

(*) – Orlando Merluzzi atua no setor automotivo há mais de trinta anos. É membro de conselho, consultor de empresas e sócio da MA8 Management Consulting Group no Brasil.

A MA8 divulga estudos para o mercado de caminhões em 2015

November 29, 2014 Leave a comment

Para MA8 Consulting o mercado de caminhões vai andar de lado no próximo ano

  • O esperado recorde da safra agrícola no Brasil não deverá puxar o setor de caminhões em 2015.

A MA8 Management Consulting Group divulgou na última 6a. feira (28-11) um estudo que avalia os aspectos que influenciam o mercado brasileiro de veículos comerciais, após a confirmação da nova equipe econômica do Governo e concluiu que o mercado de caminhões deve andar de lado em 2015 por várias razões, mas o FINAME não será o vilão desta vez.

A consultoria apresentou alguns fatores que dificultarão a expansão das vendas de caminhões no Brasil no próximo ano. As incertezas de curto prazo na economia farão o empresário parar no primeiro semestre para analisar o contexto do cenário econômico. Maiores volumes de compras só devem acontecer no segundo semestre, mesmo assim em ritmo moderado.

Safra e Caminhões no Brasil

Segundo avaliação da MA8-MCG, o anúncio da nova equipe econômica do governo é uma luz no fim do túnel para que o ano de 2015 não seja perdido no setor de caminhões. Os primeiros sinais indicam algum choque ortodoxo e isso deve ser seguido de aperto monetário, dificuldade no crédito e aumento dos juros. Tudo para equilibrar as contas e segurar a inflação. Não é de todo mal, mas fará com que os empresários parem para observar o sentido dos ventos no início do ano, lembrando que o ano para o setor só começa em março.

A consultoria alerta que não há nenhum fator mágico no horizonte de 2015 que faça a indústria de caminhões acelerar. Não deve haver expansão de negócios que demande mais caminhões e nem o esperado recorde da safra agrícola afetará positivamente o setor, pois os preços das commodities agrícolas devem continuar caindo e o crédito ficar mais escasso.

O ano de 2015 será marcado pela seletividade dos bancos na aprovação de crédito.

Há um setor da indústria de caminhões que não depende do FINAME e que representa cerca de 15% adicionais no volume reportado pela ANFAVEA. São os caminhões semileves vocacionados com carroceria sobre chassi. Esse segmento também enfrenta dificuldade na aprovação de crédito bancário e quem pode comprar a vista deverá postergar a decisão de compra.

Agricultura: Quanto à agricultura, a safra agrícola de grãos continuará em expansão, mas utilizar o jargão da safra recorde da agricultura para justificar um aumento de volumes no segmento de caminhões pesados em 2015, pode ser um equívoco. A MA8 Consulting identificou que mais de 25% do frete no setor agrícola é contratado na hora da colheita por quem não tem estrutura para armazenamento de grãos e precisa movimentar sua safra.

O Brasil tem um déficit de armazenagem (silos) de aproximadamente 20% da safra, ou seja, uns 40 milhões de toneladas. O agricultor tem que mandar a safra embora e isso está ocorrendo em um cenário financeiro desfavorável para seus negócios devido à queda dos preços das commodities agrícolas.

De acordo com estudos da MA8, os produtores rurais atualmente enfrentam margens de lucro apertadas e incertezas econômicas também nos mercados externos, pois países europeus e a própria China desaceleraram. Este cenário, afeta a decisão dos agricultores para novos investimentos e se tiverem que decidir, provavelmente vão investir primeiro em silos para armazenagem e depois em caminhões. Em adição a isso, muitos produtores agrícolas estão endividados e com a redução da rentabilidade, a seletividade dos bancos para financiamento vai aumentar. O resultado é que em 2015 não vai ter crédito fácil.

Construção Civil: No setor de construção civil e suporte aos programas de investimento das obras do governo, os estudos da MA8 apontam que: quem tinha que comprar caminhões novos já comprou. Dificilmente empresas que atuam neste setor vão comprar mais caminhões em 2015 além do ritmo regular de renovação da frota.

O sinal mais positivo para o setor em 2015 virá dos segmentos de distribuição e logística, que devem ter um pequeno crescimento acompanhando o PIB.

Para a MA8, em 2015 nenhum segmento específico deverá puxar o setor de caminhões e a expectativa é que a indústria ande lateralmente, com algum soluço de crescimento esporádico em um mês ou outro e efeitos colaterais nos meses seguintes, a não ser que tenhamos um fator inesperado de aceleração da economia e do mercado, mas o sistema financeiro para o setor de caminhões não costuma ser uma entidade beneficente e se a capacidade de tomada de crédito e de pagamento dos consumidores apresentar qualquer risco no front, os bancos travam.

Renovação da Frota: A responsabilidade sobre a concessão e operação do crédito é também um dos entraves que impedem um amplo programa de renovação da frota, de decolar no Brasil.

No momento de conceder o crédito e administrar o risco com o caminhoneiro autônomo, que é o elo da cadeia que compra o caminhão usado e faz movimentar a venda do caminhão novo, as instituições financeiras não querem bancar isoladamente.

Os programas de renovação de frota vigentes no Brasil são regionalizados e dispersos. Sem a assunção do risco de crédito na venda do caminhão usado, nenhum programa de renovação de frota no Brasil terá o efeito esperado para o setor.

Crédito: MA8 Management Consulting Group (28/11/2014)

O investidor estrangeiro e as jabuticabas do Brasil

“Algumas coisas que só tem por aqui”

 

As empresas instaladas no País sempre tiveram muita dificuldade em explicar para seus diretores nas matrizes, norte-americanas, europeias ou asiáticas, como é que os negócios no Brasil funcionam e de que forma os gestores locais conseguem navegar em meio a tanta burocracia, cartórios, taxas, contribuições e impostos – só tributos, temos mais de noventa.

Além do Brasil não ser um País para principiantes, a saúde financeira das empresas depende de um bom planejamento tributário além da própria operação industrial ou comercial. Explicar aos investidores estrangeiros sobre a incidência dos impostos federais, estaduais e municipais, alguns em cascata, assim como os créditos de impostos, por direito, na cadeia de suprimento e distribuição, sempre foi uma tarefa árdua aos CFO’s das organizações estrangeiras instaladas aqui.

Há outras características exclusivas que as matrizes hoje entendem com mais familiaridade, mas por muitos anos consistiram em fatores de questionamentos e até de dúvidas quanto à competência dos gestores locais.

Nossas jabuticabas operacionais e comerciais soavam mais como desculpas aos ouvidos dos chefes estrangeiros…

Algo que se tornou clássico nas operações comerciais em quase todas as montadoras, principalmente de caminhões e máquinas, era a deliciosa adrenalina de realizar a metade do volume de vendas do mês, somente na última semana. Tão divertido quanto estressante, o pessoal na matriz ficava maluco com isso e no último dia do mês, às 23h, o número de vendas projetado era sempre atingido. Vários são os fatores que explicam, mas não justificam tal prática. Com o tempo os investidores foram se acostumando e relaxaram, até o momento em que os objetivos deixaram de ser alcançados. Acelerar o faturamento nos últimos dias do mês é uma jabuticaba típica do setor no Brasil.

Hoje algumas marcas conseguem manter regularidade semanal de vendas e muitos dos fatores locais que resultavam na maratona de final de mês, foram eliminados. Como diz o meu amigo Dadalti, “se você atinge os objetivos de vendas não há o que explicar, mas se você não atinge os objetivos de vendas, não adianta explicar”.

Jabuticaba, coisa nossa

Jabuticaba, é coisa nossa

Uma tradicional ferramenta de vendas foi introduzida com a criatividade brasilis e muito utilizada em momentos de inflação alta, quando a aquisição de um bem era uma forma de proteção ou investimento. O “consórcio” e os grupos autossuficientes, que ainda hoje representam uma forma excelente de financiamento para aquisição de bens, foi por muito tempo uma jabuticaba difícil de explicar aos financeiros das matrizes na Europa e nos Estados Unidos.

O FINAME é outra exclusividade, que além de ser a forma mais barata de financiamento, protege a produção nacional e incentiva o investimento produtivo no país. Todavia, quando o BNDES fecha a torneira, a indústria engasga, pois as outras formas de financiamento ao consumidor cobram juros elevados, acima de 1% ao mês. Mais uma dificuldade: explicar aos países sede das empresas, taxas de juros mensais nessa ordem de grandeza, quando a inflação por lá navega abaixo de 3% ao ano.

Lembro-me de um chefe alemão, quando eu ainda era analista financeiro em uma grande multinacional, que não assimilava as composições financeiras em um cenário com inflação no Brasil de quase 2% ao dia útil, enquanto na Alemanha a inflação era de 2% ao ano. Ele queria fazer as contas em uma calculadora que possuía apenas as quatro operações matemáticas. Para mim, a HP-12C já era mais importante do que os computadores da NASA. Devo mencionar que a empresa não era alemã.

Vários estados da Federação possuem agência de fomento e atração de novos investidores. Os estados mais organizados têm até banco de desenvolvimento para financiar o início da operação, e isso às vezes faz a diferença e define a opção do local pelo investidor. Em adição, outros benefícios sucedem em forma de financiamento do caixa do novo negócio, permitindo que em um futuro próximo a comunidade local se beneficie largamente do investimento ali realizado. Mas como explicar aos investidores estrangeiros, que um benefício fiscal concedido para atrair o investimento pode não existir?

As vezes estudar um investimento no Brasil é ter que construir um plano de negócios com benefícios incertos.

O Brasil é um país com uma lei específica que regulamenta de forma abrangente, o relacionamento entre as montadoras e suas redes de concessionárias. É algo que protege os dois lados, mas impede o fabricante de implantar algumas ações unilaterais no âmbito da distribuição de veículos sem um acordo prévio com o seu canal de distribuição. Graças a essa lei, algumas montadoras pensaram duas vezes antes de deixar o Brasil durante aquela década perdida no século XX, pois indenizar uma rede de concessionárias poderia custar bem mais caro do que simplesmente encerrar a operação no país.

Mas com todo esse cenário acima, o Brasil continua sendo o destino mais procurado por grandes empresas como a nova fronteira possível para se estabelecer no mercado sul-americano e global. É absolutamente estratégico para qualquer empresa com objetivos expansionistas, se instalar na América do Sul e logicamente o Brasil oferece mais da metade do mercado regional potencial. Então, para ser forte e competitivo na América do Sul deve-se ter um fundo de comércio consolidado no Brasil.

Jabuticaba é doce e quem experimenta gosta. Mas precisa tirar a casca.

Brazil is not for amateurs.

September 15, 2013 9 comments

Brazil is not for amateurs, but is a country full of opportunities

Merluzzi

Merluzzi

With one amongst the most attractive automotive markets in the world, being the seventh-largest economy of the planet, the trucks business in Brazil has become very professional, but also full of traps demanding deep knowledge of local environment. Brazil is no longer a country for adventurers in the automotive business.

With a strong and solid financial system, a territory of continental dimensions, complex taxes chain, deficient infrastructure and, with an impressive productivity, the country is experiencing an economic stability for nearly 20 years and should remain so for a long time.  Brazil is a country where democracy and freedom of expression peacefully coexist with a huge bureaucracy to do business. But businesses in Brazil are profitable.

Brazilian customers demand high quality and product availability, and do not accept promises not delivered. Opinion makers can lead a strong brand from heaven to hell, quickly. Products don’t sell by itself in that country. A wrong marketing strategy kills a great brand but, a strong strategy will not sell a bad product nor mislead the customer.

Brazil is the only country with a Law specifically written for the automotive industry and for the relationship between dealers and manufacturers.

In some Brazilian regions you feel yourself like living in the 22nd century. In other regions, overall conditions are a shame. Unions, associations, councils, manufacturers, and press, are as powerful as religious communities. Politicians are enemies and friends at the same time, and they sign the laws that drive the country. Corruption is a problem, like it has been also in other large countries in the world. The Federal Police and the free Press have acted against it, putting the things back on track. In Brazil the Constitution, the Law and the Supreme Court have been very respected.

Some cities fight against each other aiming at attracting new investors, offering more benefits and incentives than they could manage. The new comers should define the success of their business in Brazil, at the moment of the establishment of the strategy, since the beginning. The correction of the route after the take-off may be difficult, impossible or too expensive.

Brazil is not for amateurs. The great Brazilian market is as cruel as it is fascinating. A wonderful opportunity for those with competence, and a trap for the less experienced in the Country. What is good or a success in another country may fail in Brazil. Foreign investors should ask for local experts’ support, before starting new operations in that wonderful country. Few places in Latin America offer so many opportunities for FDI, as Brazil does.

The sun rises for all, mainly in Brazil where you can find “a sun for each one”. Solar filter is needed to protect your skin. (a quick summary from “Doing business with Trucks in Brazil”, written by Orlando Merluzzi, originally in Portuguese).

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