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Archive for the ‘Industria de Caminhões no Brasil’ Category

O fundo do poço tem a altura (ou a profundidade) do seu pessimismo

Artigo publicado na Revista TranspoData de Agosto/2015

 

O mercado de caminhões no Brasil não vai acabar, mas aos que acreditam no caos e na crise como único cenário possível, dimensione-se para ele e quando a retomada vier colha os frutos de sua crença.

Enquanto as vendas de caminhões desabam, o setor agrícola e a agroindústria brasileira seguem representando mais de 20% do PIB e 42% das exportações. O Brasil é competente no ramo, com elevada capacidade de produção e produtividade por hectare.

transpodata_logo_site22 O agronegócio conduzirá a recuperação do país e com ele o setor de caminhões pesados também retornará, pois, a queda de mais de 60% em relação ao ano passado não representa tendência sustentável a médio prazo. Apesar da retração econômica o segmento de caminhões leves caiu menos de 20% e os modelos semileves não caíram, aliás, de janeiro a julho subiram 1,5% contra 2014. Na prática, o segmento de distribuição urbana não sofreu tanto.

O agronegócio é o hedging da economia e a âncora dos negócios de caminhões pesados no Brasil.

É claro que tudo depende de financiamento, disponibilidade de crédito, índice de confiança, etc., mas quando o setor retomar o viés de crescimento, o financiamento e o crédito aparecerão, seja pelos bancos privados, pelas montadoras ou pelas mãos do Governo.

Enquanto a maioria dos pessimistas nos bombardeiam com a chegada do apocalipse por causa da crise, prefiro mostrar que há motivos para crer em uma retomada entre 2016 e 2017.

Vivemos uma situação inédita, onde o medo nos torna cegos para as oportunidades. Propagar o caos ou o otimismo consomem a mesma energia, mas dão resultados bem diferentes. Nos últimos 35 anos passei por 16 crises e já vi esse filme antes, mas dessa vez temos fundamentos que nunca tivemos tais como reservas cambiais elevadas, instituições sólidas, imprensa livre, vigilante e uma democracia que se consolida.

A China voltará a crescer sob nova matriz econômica interna, como quer o líder Xi Jinping. Os EUA estão recuperando sua economia e a União Europeia continuará unida e forte. O Brasil aprenderá a fazer acordos comerciais melhores, os gargalos logísticos serão reduzidos e o País continuará sendo um ótimo destino para novos e velhos investimentos. Se as agências de risco rebaixarem o rating, o Brasil terá plenas condições para recuperá-lo.

Não fecho os olhos para o perigo que bate as nossas portas, mas opto por ser otimista e não propagar o caos como se o mundo fosse acabar amanhã.

A questão agora para as montadoras é como planejar os próximos dois anos, lembrando que há uma rede de concessionárias lá fora para ser alimentada. Algumas marcas estão capitalizadas, outras nem tanto mas possuem parque circulante que mantém as atividades de pós-venda.  Difícil mesmo, infelizmente é para quem chega tendo que construir uma rede nova, sem frota circulante e com mercado incerto.

O período de ajuste vai durar pouco, mas se você acreditar que o fundo do poço ainda está longe, para você ele realmente estará. A oportunidade existe para quem lê as entrelinhas das notícias e não apenas as manchetes dos jornais.

O. Merluzzi

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Estudo inédito da MA8 projeta volumes de máquinas agrícolas e caminhões pesados

Oleodieselnaveia reproduz um extrato do mais recente estudo da MA8 divulgado em 24.07.15.

Correlação entre o segmento de caminhões pesados com o setor agrícola

Projeção 2015 – 2020

  • O segmento de caminhões pesados poderá ter as maiores taxas de crescimento do setor automotivo nos próximos anos, puxado pela inevitável expansão do setor agrícola.
  • O setor de máquinas agrícolas deve dar os primeiros sinais de recuperação no início de 2016, refletindo a expansão do agronegócio e a destinação de recursos para o setor iniciada no 2º semestre de 2015.

Analisamos os efeitos positivos previstos para o agronegócio, decorrentes dos planos de financiamento para o setor, demanda global, tecnologia local, produtividade e expectativa para os próximos cinco anos sobre melhorias logísticas na malha rodoviária e portos.

Utilizamos método exclusivo de análise, com banco de dados e séries históricas da indústria, mercado, economia, exportações e linhas de financiamento. Isolamos os principais elementos do agronegócio que afetam diretamente o setor de caminhões pesados e traçamos as tendências dessazonalizadas de crescimento para os dois setores.

Ao longo dos últimos 14 anos, as variações percentuais das safras agrícolas refletiram diretamente nas vendas do segmento de caminhões pesados e isso não foi coincidência.

Nos próximos anos o cenário deve se repetir, mas desta vez com tendência regular de crescimento no setor.

O mundo demanda commodities agrícolas e a tecnologia permite que o Brasil produza mais por hectare a cada nova safra, que pode atingir 230 milhões de toneladas no final desta década. O câmbio deve permanecer favorável ao agronegócio apesar dos aumentos de juros e custos nos insumos. A logística para escoamento da safra continuará por muitos anos dependente do transporte rodoviário e dos caminhões pesados.

Confirmamos as previsões anteriormente divulgadas pela MA8 para o segmento de caminhões pesados, que devem encerrar esta década com menor participação na indústria do que no início do decênio, mas em compensação pode apresentar os maiores índices de crescimento no setor, nos próximos cinco anos.

Máquinas Agrícolas x Caminhões Pesados - correlação

O segmento de caminhões pesados deve encerrar 2015 com pouco mais de 19 mil unidades vendidas, representando 22% da industria total de caminhões. Voltamos aos níveis de vendas de 2006, quando o mundo começava a crescer puxado pela China e foi a partir daquele momento que o setor automotivo brasileiro deslanchou. A China deve voltar a crescer a partir de 2017.  Quando expurgamos efeitos spot que afetaram vendas, como o caso do Proconve 7 ou restrições esporádicas do FINAME no início de cada ano e analisamos a correlação com o setor agrícola nos últimos 15 anos, há uma clara indicação de que o segmento de pesados deve retomar a tendência de crescimento a partir de 2016 e encerrar a década com participação de aproximadamente 30% na indústria.

Quanto ao setor de máquinas agrícolas, veremos no início dos próximos anos os efeitos positivos dos programas recém-lançados de apoio e financiamento ao agronegócio, que seguramente continuarão, independente das questões políticas e as instituições permanecerão sólidas. Acreditamos que as vendas de máquinas agrícolas repetirão em 2020 os volumes recordes de 2013, lembrando que a agroindústria representa mais de 20% do PIB e responde por 42% das exportações.

Estamos otimistas com os próximos anos no mercado de caminhões, que deve retomar crescimento puxado pelos efeitos do agronegócio e atingir o volume anual de 125 mil unidades ao final da década. As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas devem atingir ao final do mesmo período um volume aproximado de 75 mil unidades, repetindo ao fim do decênio o recorde comemorado em 2013.

Em 2015, as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas permanecerão abaixo de 50 mil unidades, com uma queda de 24% em relação ao ano de 2014, regredindo aos níveis de 2008. Acreditamos que este será o primeiro setor a se recuperar.

O setor de máquinas agrícolas sofre menor impacto da retração econômica, se comparado a caminhões, devido à força da agroindústria e sua importância nas exportações e na balança comercial.

Com exceção do setor sucroalcooleiro, o produtor agrícola em geral está mais capitalizado (principalmente na região Sul do País) e deve voltar a investir nos próximos dois anos.

O Plano Safra 2015/2016 anunciado constata o apoio ao agronegócio e os recursos destinados superaram as expectativas do próprio setor. Há apenas 10 anos o montante destinado ao incentivo agrícola era cinco vezes menor do que os atuais 188 bilhões de reais. Somos otimistas com a produtividade do setor e projetamos crescimento para os próximos anos, demandando expansão de transporte e logística para escoamento das safras.

Máquinas Agrícolas x Caminhões Pesados - Correlação Dessazonalizada

Enquanto a indústria total de caminhões deve crescer pouco mais de 40% nos próximos cinco anos, o segmento de caminhões pesados pode ter índice de até 90% de crescimento no mesmo período e as vendas de máquinas agrícolas expandirem em até 50% em volume (até 2020).

Após anúncio do Plano Safra em Junho e do Programa de Investimentos em Logística (PIL), projetamos novos volumes para os próximos cinco anos, incentivados pelo fortalecimento do agronegócio e identificamos que o segmento de caminhões pesados crescerá em ritmo mais acelerado do que a própria indústria total de caminhões, devido ao fato de que este foi o segmento que mais sofreu nos últimos dois anos, com queda acumulada de 65%.

A recuperação do segmento de caminhões pesados será mais acentuada nos próximos anos devido a uma base muito reduzida em 2015, mas isso não significa que o segmento repetirá tão cedo o índice de participação recorde de 36% na indústria de caminhões alcançado em 2013, que foi também o ano recorde em vendas de máquinas agrícolas, em estreita correlação. Mesmo assim, os próximos anos devem ser de alívio para as tradicionais montadoras que atuam prioritariamente no segmento de caminhões pesados e principalmente para suas redes de concessionárias, porém o mercado continuará muito difícil para as marcas recém-chegadas e algumas podem não resistir até o final do decênio.

Para as máquinas agrícolas, o Moderfrota é um programa consagrado de fomento às vendas e o recente aumento de juros para 7,5% deve afetar pouco o preço final, quando diluído nas prestações. Continua sendo um recurso barato e atrativo para financiamento.

Quanto ao financiamento para caminhões, continuará havendo incentivos do governo através do próprio FINAME, mesmo que com aumento de juros e com índices maiores de participação dos clientes na parcela financiada. Em adição, os bancos das montadoras tradicionais possuem plenas condições de competitividade e oferta de programas alternativos de financiamento.

Quanto ao Programa de Renovação de Frota de caminhões, não vemos possibilidade de sucesso a curto prazo no modelo em que se desenvolve atualmente entre as entidades patronais, sindicais e governamentais. Entendemos que um programa de renovação de frotas para caminhões deve começar por um sistema amplo de financiamento aos caminhões usados e aos autônomos, com taxas de juros subsidiadas, seguro de crédito e disponibilidade de recursos, prioritariamente ao financiamento dos caminhões novos.

Para este estudo a MA8 considerou o mercado de caminhões acima de 3,5 toneladas de peso bruto, enquanto que para o setor de máquinas e equipamentos agrícolas foram considerados todos os tipos de tratores agrícolas, colheitadeiras e cultivadores motorizados.

Sobre a MA8 Management Consulting

Grupo de consultores especializados na indústria automobilística para carros, caminhões, equipamentos agrícolas, mineração e máquinas de construção. Consultoria de gestão empresarial, planejamento estratégico, suporte a investimentos, inteligência de mercado e estratégia para operações no Brasil e na América Latina.

Para mais informações visite o endereço:  www.ma8consulting.com

Direitos Reservados MA8 Management Consultoria Ltda

 

FENATRAN 2015 – A conta chegou mais cedo.

Há anos escrevo sobre a necessidade de São Paulo ter um outro local para megaexposições. O Anhembi já não comporta mais os vícios do passado. Meu último texto sobre isso foi em novembro de 2011 e a história se repete.

A ausência de um local mais moderno e adequado para expor as virtudes de um setor automotivo em expansão, com acesso democrático e logística apropriada, fez com que o Parque de Exposições do Anhembi em São Paulo se tornasse a única opção para eventos desse porte, mas com limitação de espaço e estrutura.

Ao longo dos anos os organizadores do evento fizeram valer as leis da Economia que Alfred Marshall compilou em sua obra prima do final do século XIX –  Principles of Economics. Inflação por demanda, oferta e procura foram experimentados em cada metro quadrado do pavilhão do Anhembi e a organização, em si, não tem culpa e apenas aproveitou a oportunidade e os bons momentos (dos últimos 25 anos).

Os culpados são as próprias montadoras que ao longo dos anos sinalizaram para os organizadores do evento que haveria espaço para aumentos de preço. Em um mercado que dobrou de tamanho numa década, gastar dois, três, cinco ou dez milhões de reais em um evento com apenas 5 dias uteis de duração era algo possível e necessário.

Ai da montadora que ousasse se ausentar do Salão do Automóvel ou da Fenatran. Rapidamente teriam início os boatos de que a marca não estava bem e que não teria futuro no País.

Neste ano de 2015 a Fenatran deverá ter algumas baixas importantes. Nem todas as montadoras que anunciaram a não participação no evento realmente o farão. Algumas ainda voltarão atrás, mas outras já decidiram por economizar.

O investimento necessário para participar em um evento desse porte pode demandar de algumas marcas o equivalente ao lucro de um mês de vendas. Em mercado recessivo e declinante, cautela e temperança permitem a longevidade no caminho.

Estar ausente da Fenatran não significa perder competitividade no mercado, mas foco no que é prioridade.

Orlando Merluzzi 

Desafios para o Setor Automotivo.

February 26, 2015 Leave a comment

O que esperar nos próximos dois anos – 2015 e 2016

A MA8 Management Consulting Group publicou o resumo de um estudo amplo sobre o setor automotivo no País. Trata-se de um trabalho complexo com mais de 300 páginas. Extraí alguns highlights sobre os desafios do setor e as projeções de curto prazo desse estudo.

2015-2016: O setor automotivo não é uma entidade beneficente, muito menos os bancos das montadoras.

Alguns dos elementos que influenciam o mercado automotivo possuem previsões conturbadas para 2015 e certamente impactarão o setor devido a:

  • Maior restrição de crédito e mais seletividade na análise e concessão pelas instituições financeiras.
  • Inflação e desemprego desencorajarão a assunção de novos financiamentos pelos consumidores.
  • Incerteza econômica e potencial instabilidade política.
  • Suspensão dos investimentos no setor, incluindo FDI.
  • Novos investimentos externos no setor serão colocados na geladeira até 2017.

CENÁRIO 1 – Contingencial. O Governo, as entidades patronais e as sindicais se unem em torno de um plano emergencial que evite um ano muito ruim no setor com impacto na economia. Mesmo assim as projeções são de queda em 2015 e relativa estabilidade em 2016.

CENÁRIO 2 – Inércia patronal, sindical e governamental. Nesse caso as projeções atuais são mantidas sem novos incentivos e programas que recuperem as vendas (incluindo plano de renovação de frota para carros e caminhões).

Nota: A MA8-MCG não considerou em suas projeções o potencial impacto de um blackout no BNDES que poderia resultar em suspensão de financiamentos nos setores de caminhões, ônibus e máquinas.

Projeções para o setor 2015-2016

Projeções para o setor 2015-2016

DESAFIOS do Setor Automotivo entre 2015 e 2017.

As montadoras deverão enfrentar desafios de curto prazo para que possam passar pelo período de turbulência e saírem fortes após 2017, quando o mercado retomará com a nova onda de crescimento da China.

  • Manter os fornecedores vivos e administrar as pressões de aumento de custos.
  • Inevitável aumento dos custos variáveis de produção.
  • Gestão da relação sindical e retorno das tensões grevistas.
  • Demanda por aumento de salários e manutenção dos empregos.
  • Inevitável necessidade de fazer ajustes em seus quadros de pessoal.
  • Restruturação e redução de custos fixos e administrativos.
  • Potencial fechamento de unidades menos produtivas.
  • Redução da rentabilidade das montadoras, que já sofreu queda real de 26% em US$ nos últimos 14 anos.
  • Manter as redes de concessionárias operantes, motivadas e saudáveis.
  • Gerenciar a descapitalização e o endividamento das concessionárias.
DESAFIOS DAS MONTADORAS

DESAFIOS DAS MONTADORAS

As montadoras que forem melhor sucedidas na manutenção da motivação e da rentabilidade de suas redes de concessionárias durante os próximos três anos sairão mais fortes no momento da retomada do mercado a partir de 2017. Desta forma, gestão e motivação das redes das concessionárias passam a ser o elemento chave na sustentação de toda cadeia do setor automotivo durante os próximos três anos.

EMPREGOS E DEMISSÕES. Com a demissão de mais de 12 mil empregados em 2014, o setor automotivo retornou aos níveis de emprego de 2011. Contudo, o faturamento anual por empregado no setor, que em 2010 era de US$ 720 mil/empregado, caiu para US$ 620 mil em 2014. O setor automotivo ainda precisa fazer ajustes no quadro de pessoal para retomar o equilíbrio entre produção, vendas, faturamento e quantidade de empregos. Qualquer movimento contrário ficará por conta das sete novas fábricas (linhas de montagem) que entrarão em produção “a regime” nos próximos dois anos.

Fonte: Boletim Automotivo da MA8-MCG de Fevereiro 2015

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A fatia de cada montadora no mercado estendido de caminhões

Após as divulgações da Fenabrave e Anfavea nesta semana sobre o balanço de 2014, adequamos os números do mercado de caminhões no Brasil ao que chamamos “Mercado Estendido Vocacionado”. As montadoras não gostam muito dessa classificação, mas as empresas de avaliação de negócios o consideram para determinação do fundo de comércio. 

Trata-se do mercado diesel na visão dos clientes, que movimenta e distribui cargas nas regiões metropolitanas e para as mais distantes. Nele o cliente considera também como opção de compra os furgões de 10 a 15 metros cúbicos ou caminhões semi-leves. O resultado é uma indústria de veículos comerciais a diesel com volume 35% maior do que a indústria de caminhões divulgada pelas entidades do setor.

Mercado de Caminhões

Mercado Estendido de Caminhões no Brasil

O gráfico mostra a fatia de cada montadora nesse mercado estendido e sua evolução nos últimos 4 anos.

Menções positivas devem ser feitas a Mercedes, Volvo e Renault, que sustentam crescimento no período. A Scania consegue deter uma fatia maior do que a Iveco, considerando que a primeira compete praticamente em um único segmento no setor. A Ford pagou com alguns pontos de market share a retirada da linha F, mas consegue se manter acima dos 10% neste fundo de comércio. Bongo e HR parecem ter encontrado o seu tamanho no mercado após uma sensível redução de participação. Tudo isso sob a influência mercadológica/financeira na qual cada ponto percentual de market share no setor de caminhões vale em média, US$ 300 milhões por ano para a montadora. Perder ou deixar de ganhar market share nesse mercado, além de representar um bom dano no caixa, estrangula as redes de concessionárias e “hipoteca” o futuro.    Janeiro, 08, 2015

MA8 – MCG  www.ma8consulting.com

Fenabrave divulga resultado de 2014, com otimismo para 2015

Parabéns a Volvo Caminhões

A FENABRAVE divulgou hoje os números de emplacamento no setor automotivo em 2014, sem muita surpresa. No topo da cadeia alimentar de carros e comerciais leves continuam 8 marcas detendo 90% do mercado, enquanto outras 42 marcas brigam pelos 10% restantes. O mercado total de 3,5 milhões de veículos recuou pouco mais de 7% em relação a 2013.

As previsões da Fenabrave são otimistas para 2015 e projetam uma pequena queda de 0,5% no mercado de veículos. Talvez eu seja mais cético ou realista – leia meu post “os fantasmas contra-atacam no setor automotivo“, de 04/01. Com um cenário tão complicado para 2015 eu não projetaria estabilidade em volume no setor automotivo, salvo o Ministro Joaquim Levy tire algum coelho da cartola e não tenhamos mais nenhuma crise de credibilidade em outras empresas estatais. Já basta uma.

volvo_logo_detailMas quero fazer uma menção especial a Volvo, que se consolidou como a 3a. marca de caminhões no Brasil com 14,4% de participação em 2014 (segundo os números da Fenabrave), ratificando o que se observara em 2013. Importante ressaltar que a Volvo ainda não atua em todos os segmentos do setor. Pode-se esperar que no futuro a empresa dispute a liderança no mercado de caminhões no País, quando lançar produtos nos segmentos médios e leves.

Parabéns a Volvo Caminhões e minha admiração para uma empresa que priorizou a qualidade, o pós-venda, o respeito as pessoas e principalmente a parceria com a sua Rede de Concessionárias. O resultado é esse: crescimento no mercado, com rentabilidade e uma rede de concessionárias saudável e motivada.

Orlando Merluzzi

Os fantasmas contra-atacam no setor automotivo

January 4, 2015 1 comment

Ano novo e velhos receios para o setor automotivo no Brasil

O. Merluzzi, da MA8-MCG

O. Merluzzi (*)

Antes de tudo, quero desejar um Feliz 2015 a todos, com votos de prosperidade e principalmente com a esperança de que o cenário que enxergamos para este ano, no setor automotivo, seja apenas uma miragem.

Sempre foi mais fácil fazer um balanço do que passou – no estilo engenheiro de obras feitas – do que projetar o que está por vir. É preciso ter coragem para atestar uma previsão de futuro, principalmente se for uma previsão ruim.

Bem, vou começar pelas “obras feitas” no setor automotivo em 2014.

O mercado brasileiro terminou o ano com 3,5 milhões de veículos emplacados entre carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Um “tombinho” de 7% em relação a 2013, mas mesmo assim, um resultado que divide com o ano de 2010 a posição de quarto (4º) melhor resultado da história no setor automotivo brasileiro. Melhor em volume, mas péssimo em rentabilidade para as montadoras e principalmente para as redes de concessionárias.

O mês de dezembro esboçou reação para carros de passeio, motivado pela ativação emocional do aumento de IPI e consolidou a retração do setor de caminhões, não só por causa do Finame que todos apontam como o vilão da história, mas também pelas incertezas da economia e das confusões na condução do “Olimpo”. O aumento de IPI – em média de 4,5% – representa pouco no preço efetivo de compra dos veículos, uma vez que a grande maioria das vendas é financiada e o aumento se dilui nas prestações. Por exemplo, para um carro de R$ 50.000, financiados em 48 meses, o aumento impactará a prestação mensal em um valor equivalente ao preço de uma pizza e para quem compra a vista, a diferença sai no preço como desconto em uma negociação. Portanto, seja para a compra a vista ou financiada, não justifica a corrida às lojas. Mas às vezes, uma boa promoção de vendas é aquela que melhor impede o consumidor de raciocinar em formato lógico. De toda forma, devo saudar o mês de dezembro de 2014 como um dos melhores em vendas de veículos em toda história do setor, com mais de 360 mil veículos no varejo.

2015: Agora vamos ao que interessa.

Prepare-se para as incertezas que pensávamos não mais existir nesse plano etéreo. O ano de 2015 será difícil para o setor automotivo, mas será terrível para as redes de concessionárias. Noites de terror para os titulares da rede.

O cenário político e econômico é o pior possível se levarmos em conta a bonança que vivemos nos últimos dez anos. Estão de volta os fantasmas que desestabilizam qualquer planejamento de curto prazo.

O Governo está diante de um painel de controle com muitas variáveis e tenho dúvidas se saberá apertar os botões corretos no momento certo. O aumento da taxa de juros – para conter a inflação – deve elevar os atuais 1,7% ao mês dos bancos privados para algo próximo de 2% na aquisição de novos veículos daqui a alguns meses. No caso dos bancos das montadoras a taxa é um pouco menor, mas subirá da mesma forma. A rentabilidade das montadoras despencou e dificilmente os subsídios para taxas de juros continuarão no ritmo de anos recentes. O crédito ficará ainda mais restrito e seletivo e aquela conversa de “maior facilidade para retomada do bem”, na prática terá pouca influência na benevolência das instituições financeiras – business is business

A MA8-MCG divulgará na próxima semana um estudo sobre o setor automotivo envolto em cenários recentes, presente e futuro. Com os pés no chão e a sensatez de um grupo de profissionais com mais de 40 anos de experiência no setor – que já viveu muito de tudo – a consultoria prevê nova queda em todos os segmentos e alerta para um iminente colapso nas redes de concessionárias, principalmente em caminhões.

O ano de 2015 começa com previsões negras exatamente sobre os fatores que sustentaram o crescimento do setor automotivo nos últimos dez anos. Haverá queda no nível de emprego e de renda, menos crédito para atividades de consumo e serviço, maior cautela do consumidor para endividar, retração salarial com aumento de custos variáveis na indústria, desistência de investimentos estrangeiros e inversões de FDI, diminuição das atividades da construção civil, possível turbulência no setor elétrico, aumento da safra com déficit de silos em ambiente de queda no valor das commodities, classificação limítrofe de ratings internacionais do país com juros externos maiores na captação, crise de credibilidade do país e das empresas estatais no exterior, menor atividade do BNDES no mercado, menor contribuição do Agronegócio na balança comercial, potencial crise russa, retração chinesa, inflação, dólar em alta, instabilidade política, baixo crescimento econômico, etc., etc..

Calma! Não se desespere. Os EUA estão no sentido inverso com sua economia em recuperação e ainda há a possibilidade de o Governo brasileiro fechar os olhos e apertar os botões corretos naquele painel de controle. Vai que ele acerta e atua para a responsabilidade fiscal, contenção de gastos públicos, meta de inflação firme, criação de um cenário menos burocrático para atrair investimentos e quem sabe, agir de forma competente para reverter a péssima imagem do País no exterior que está afugentando investidores, principalmente os asiáticos. Antes que eu esqueça, que bom seria abandonar o Mercosul – que pouco nos agrega e muito nos atrapalha – passando a fazer acordos comerciais ou bilaterais competentes e frutíferos para nossas atividades de comércio exterior, com blocos ou países mais interessantes como já fazem Chile, Colômbia, México e Peru.

Mediante o cenário acima seria irresponsabilidade prever aumento ou manutenção dos níveis atuais do setor automotivo para 2015 e até mesmo para 2016.

As sofríveis margens e a rentabilidade em toda cadeia automotiva devem continuar caindo e assim, um ajuste nos custos fixos e administrativos das empresas será necessário. Engana-se quem pensa que o setor automotivo brasileiro pratica margens elevadas, mas isso é tema para outra conversa.

Receio que novamente os estilhaços da explosão atinjam prioritariamente as concessionárias. Os estoques nas concessionárias de veículos, de mais da metade das marcas, não estão saudáveis e carregam custos financeiros desproporcionais em um momento de retração da atividade econômica. Tenho visto análises sobre estoques disponíveis para suprir 60 dias de vendas, mas quase ninguém comenta que muitos veículos estão há muitos meses nos pátios das concessionárias e para serem desovados, só um lado arcará com os prejuízos. Esta situação se observa em carros, comerciais leves e caminhões.

Há uma forma de a indústria automotiva manter viva a “galinha dos ovos de ouro”, ou seja, não repassar as penalidades do momento econômico para as suas redes de concessionárias, pois muitas não suportam mais os prejuízos acumulados – salvo raras exceções de grupos capitalizados e capilarizados.

Para algumas montadoras o prejuízo talvez seja inevitável, mas para algumas concessionárias a continuidade dos prejuízos poderá ser a sentença de morte e quando o mercado retomar em 2016 ou 2017, o exército não terá forças para avançar.

Juntando-se a tudo isso, novas fábricas de carros iniciaram recentemente a produção e vendas no Brasil e outras o farão nos próximos dois anos. Como afirmei em 2014 há espaço para todos, mas a briga vai ser épica.

Que sobrevivam os fortes e cresçam os que acreditam. Vamos juntos torcer para que o “Olimpo” se controle e tome as ações corretas para reverter esse quadro.

(*) – Orlando Merluzzi atua no setor automotivo há mais de trinta anos. É membro de conselho, consultor de empresas e sócio da MA8 Management Consulting Group no Brasil.

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