Who is afraid of China?

Answer: Almost all in the automotive sector.

Linha de montagem na China
Linha de montagem na China

O ano de 2013 encerrou com mais um incrível recorde de produção e vendas de veículos na China. São números gigantes para nossos padrões – lembrando que o Brasil é uma entre as cinco maiores indústrias automobilísticas no mundo. Foram produzidos e vendidos mais de 22 milhões veículos na China em 2013 ou seja, a cada dois meses o mercado chinês comprou o volume de veículos equivalente a produção de um ano no Brasil.

São 120 (cento e vinte) fábricas de veículos na China, das quais 44 são de veículos comerciais leves, pesados e ônibus. Contudo, 19.500.000 veículos vendidos naquele país em 2013 foram de apenas 10 (dez) marcas – mais ou menos o que acontece no Brasil na indústria de caminhões acima de 3,5 toneladas, onde 98% do volume de vendas estão concentrados nas mãos de seis montadoras.

É de se imaginar que esse modelo com concentração de volume tão grande nas mãos de poucos fabricantes não se sustentará em médio prazo, nem no Brasil e nem na China.

Dos 22 milhões de veículos vendidos em 2013 na China, quase 3 (três) milhões de unidades foram caminhões e aproximadamente outros 500 mil foram ônibus.

As marcas chinesas de carros estão perdendo espaço dentro da própria China e em 2013 representaram pouco mais de 40% do volume comercializado – míseros 7,2 milhões de unidades. Enquanto as marcas mundiais consagradas ganham espaço dentro da China, as marcas chinesas vão começar a ganhar espaço dentro de outros países ao redor do mundo. Quem você acha que vai crescer mais?

Mas o que me chama atenção é que esse crescimento chinês não vai parar. O líder Hu Jintao anunciou seus planos de dobrar o PIB chinês em poucos anos e o novo líder Xi Jinping mantém firme esse propósito. Não tenho nenhuma dúvida que o PIB chinês irá dobrar de tamanho até 2020 e com ele, a indústria anual de veículos chinesa continuará a bater recordes. Nesse ritmo, deverá ultrapassar o volume anual de 30 milhões de unidades, em breve.

Fábrica da AUDI em Changchun
Fábrica da AUDI em Changchun – China

Para isso, as marcas chinesas vão invadir outros países, coisa que estão apenas começando a fazer. Portanto, a resposta a pergunta título: quem tem medo da China no setor automotivo? Resposta: Quase todos, mas eu não.

Torço para que isso ocorra, pois será muito bom para o Brasil !

Se a China continuar a crescer nesse ritmo tímido de 7,5% ao ano (tímido para os padrões chineses), a economia do Brasil será puxada a crescer uma média de 2% a 2,5% ao ano, que é o máximo que o Brasil consegue crescer a médio e longo prazo. No máximo uns 3% ao ano, em média. Pode ser que em um ano cresça mais do que isso, mas depois naturalmente virá o efeito colateral. As fundações logísticas brasileiras não permitem um crescimento médio maior do que 3% ao ano, de forma regular. E se o câmbio – US$ – explodir? Ele voltará com o tempo.

Com tudo isso, a indústria de veículos no Brasil continuará a crescer e a bater seus próprios recordes e não me importo nem um pouco se nossos volumes anuais continuarem a representar apenas 2 (dois) meses do mercado automotivo chinês.

Desejo muito sucesso ao Sr. Xi Jinping em sua tarefa de dobrar o PIB chinês. Por favor, faça isso. Enquanto a economia do Brasil for dependente da economia chinesa – como é hoje – e os sinais de recuperação da economia norte americana continuarem acesos – como já estão – prevejo muitos bons ventos no setor automotivo nos próximos anos.

Orlando Merluzzi – Janeiro/2014

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