“O último baile da ilha fiscal” (sic) – Fonte: Valor

Com essa frase o ministro Joaquim Levy rotulou o último aporte do Governo em 2014 para o BNDES. Parece que o paternalismo vai perder espaço e o banco de desenvolvimento terá que andar por conta própria. Bem, não parou por aí. O Governo anunciou que não dará mais socorro às montadoras e estas devem se tornar mais eficientes e competitivas. Finalmente!

Quanto ao BNDES tenho minhas dúvidas. A função do banco é fomentar o desenvolvimento e o Governo deveria viabilizar o desenvolvimento.

O problema é que o BNDES nos últimos anos fomentou o que não deveria, onde não deveria e fechou as portas para alguns bons projetos industriais. Financiou muito mais consumo e serviços, do que setor produtivo.

No início deste ano o BNDES soltou circular com novas regras e restrições ao financiamento e alguns segmentos vão sofrer, como o setor de caminhões e máquinas, por exemplo.

A declaração do Governo, segundo o Jornal Valor Econômico de 16.01.2014, afirma que “o que a indústria precisa é de se expor mais a concorrência externa, melhorar a competitividade, buscar novos mercados e exportar mais” (sic).

Este é um tema sobre o qual escrevi em meu artigo de seis de julho de 2014, sob o título “uma nova ordem de calmaria após a tempestade”: um setor que não consegue se ajustar a uma queda pequena como essa – 8%, que mesmo assim resulta em volumes próximos de recentes recordes tão celebrados – não pode culpar o Governo, impostos ou disponibilidade de crédito como causador de uma catástrofe. A mim, parece muito mais um problema de gestão do que de efeitos terceiros.  Nota: a previsão de 8% de queda em volume no setor praticamente se concretizou, fechando o ano de 2014 com queda de 7,1%.

O socorro do Governo as montadoras foi maior nos últimos quatro anos e agora é hora de pagar a conta em um mercado com retração de consumo e incertezas econômicas. No mesmo artigo de julho ressaltei que “Enquanto o setor automotivo teve um tempo razoável para se ajustar e fazer planos contingenciais, a eficiência e a visão do próprio umbigo tem sido talvez substituídas pelo socorro rápido e fácil através de outras fontes“.

SETOR AUTOMOTIVO BRASILEIRO

Não sou contra ajudar um setor que é tão estratégico para o País como a proteção de nossas próprias fronteiras, afinal representa mais de 20% do PIB industrial. Mas é inevitável que o setor automotivo brasileiro tenha que reformular sua forma de gestão e estrutura, deixando de culpar a queda das exportações para a Argentina pelas recentes turbulências.

Se um país como a Argentina, com tantos problemas estruturais e econômicos exerce tamanha influência em um setor industrial estratégico brasileiro, como é o caso do automotivo, então o Governo está correto em sua afirmação.

Todavia, o setor automotivo não é uma entidade beneficente como ainda pensam alguns radicais que nem sabem a diferença entre crédito e débito. Os investimentos aqui realizados precisam gerar recursos e retornar em parte para as matrizes.

No período de 2010 a 2014, no qual o Governo mais estendeu seu braço amigo, a produção total do setor automotivo, por empregado, caiu de 27 para 22 unidades por ano (fonte: Anfavea). O setor continuará se ajustando e as 12 mil demissões observadas em 2014 podem não ser ainda o capítulo final de uma história que recomeça.

Aonde chegará a indústria automotiva em 2022? A MA8 Management Consulting Group divulgará nessa semana um estudo sobre o setor que analisa o passado, os desafios de curto prazo e projeta o futuro sob diferentes aspectos da economia internacional.

A economia se deteriorou tanto nos últimos meses no País que o tratamento de choque da nova equipe do Governo vai doer em todos, mas é necessário.

Vida longa e próspera a essa nova “equipe econômica”, se o lado negro da força permitir.

17 de janeiro de 2014

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