O fundo do poço tem a altura (ou a profundidade) do seu pessimismo

Artigo publicado na Revista TranspoData de Agosto/2015

 

O mercado de caminhões no Brasil não vai acabar, mas aos que acreditam no caos e na crise como único cenário possível, dimensione-se para ele e quando a retomada vier colha os frutos de sua crença.

Enquanto as vendas de caminhões desabam, o setor agrícola e a agroindústria brasileira seguem representando mais de 20% do PIB e 42% das exportações. O Brasil é competente no ramo, com elevada capacidade de produção e produtividade por hectare.

transpodata_logo_site22 O agronegócio conduzirá a recuperação do país e com ele o setor de caminhões pesados também retornará, pois, a queda de mais de 60% em relação ao ano passado não representa tendência sustentável a médio prazo. Apesar da retração econômica o segmento de caminhões leves caiu menos de 20% e os modelos semileves não caíram, aliás, de janeiro a julho subiram 1,5% contra 2014. Na prática, o segmento de distribuição urbana não sofreu tanto.

O agronegócio é o hedging da economia e a âncora dos negócios de caminhões pesados no Brasil.

É claro que tudo depende de financiamento, disponibilidade de crédito, índice de confiança, etc., mas quando o setor retomar o viés de crescimento, o financiamento e o crédito aparecerão, seja pelos bancos privados, pelas montadoras ou pelas mãos do Governo.

Enquanto a maioria dos pessimistas nos bombardeiam com a chegada do apocalipse por causa da crise, prefiro mostrar que há motivos para crer em uma retomada entre 2016 e 2017.

Vivemos uma situação inédita, onde o medo nos torna cegos para as oportunidades. Propagar o caos ou o otimismo consomem a mesma energia, mas dão resultados bem diferentes. Nos últimos 35 anos passei por 16 crises e já vi esse filme antes, mas dessa vez temos fundamentos que nunca tivemos tais como reservas cambiais elevadas, instituições sólidas, imprensa livre, vigilante e uma democracia que se consolida.

A China voltará a crescer sob nova matriz econômica interna, como quer o líder Xi Jinping. Os EUA estão recuperando sua economia e a União Europeia continuará unida e forte. O Brasil aprenderá a fazer acordos comerciais melhores, os gargalos logísticos serão reduzidos e o País continuará sendo um ótimo destino para novos e velhos investimentos. Se as agências de risco rebaixarem o rating, o Brasil terá plenas condições para recuperá-lo.

Não fecho os olhos para o perigo que bate as nossas portas, mas opto por ser otimista e não propagar o caos como se o mundo fosse acabar amanhã.

A questão agora para as montadoras é como planejar os próximos dois anos, lembrando que há uma rede de concessionárias lá fora para ser alimentada. Algumas marcas estão capitalizadas, outras nem tanto mas possuem parque circulante que mantém as atividades de pós-venda.  Difícil mesmo, infelizmente é para quem chega tendo que construir uma rede nova, sem frota circulante e com mercado incerto.

O período de ajuste vai durar pouco, mas se você acreditar que o fundo do poço ainda está longe, para você ele realmente estará. A oportunidade existe para quem lê as entrelinhas das notícias e não apenas as manchetes dos jornais.

O. Merluzzi

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