MA8 Consulting divulga bases para Planejamento Estratégico no Setor Automotivo

Um longo caminho para recuperar mais de uma década perdida

 

FLASH PARA PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Carros / Comerciais Leves / Caminhões / Máquinas

Reprodução do relatório divulgado pela MA8 Management Consulting

Para os próximos anos trabalhamos com dois cenários possíveis e identificamos cuidados necessários e oportunidades de negócios em cada um deles.

Projeções – Analisamos dois cenários

Conservador que apresenta crescimento moderado limitado por gargalos logísticos, restrições de crédito e investimento, alguma incerteza político-econômica e lenta recuperação dos índices de confiança e emprego.

Otimista que acentua os elementos que podem alavancar a economia local e global: uma nova onda de crescimento da China a partir de 2017/2018, que deve movimentar o setor de máquinas e implementos agrícolas, beneficiando também os segmentos de caminhões pesados e máquinas de construção (não pela retomada do setor da construção civil, mas pela parcela das linhas amarelas demandada pelo agronegócio e pela extração mineral).

Agronegócio – Continuará sendo o hedging da economia pelos próximos anos. A safra pode alcançar 250 milhões de toneladas até 2025 e o setor continuará responsável por mais de 45% das exportações do País, puxando a retomada do setor automotivo em veículos comerciais e máquinas. O crescimento da safra em ton não será acompanhado pela mesma expansão em área cultivada, demandando novas tecnologias, equipamentos e competência especializada.

Financiamento-BNDES – Alertamos para a iminente necessidade de o setor de caminhões desenvolver um novo modelo de negócios que não seja dependente do FINAME.

China A China deve voltar a crescer a partir 2017/2018 sob uma nova matriz econômica interna, com foco em financiamento de varejo, consumo e prestação de serviços (com desenvolvimento de novas competências).

Commodities mineraisDiretamente ligadas a próxima onda de crescimento chinesa, podem impulsionar o setor de máquinas, equipamentos e caminhões semipesados e pesados a partir de 2018.

Nota: Trading terms / Reservas cambiais: Agroindústria e commodities agrícolas e minerais devem responder por mais de 53% das exportações do País nos próximos anos, com o agronegócio mantendo participação média regular acima de 21% do PIB.

Financiamento – Provável mudança do papel do BNDES para os próximos anos.

A MA8 entende que o governo tem um papel fundamental no fomento aos investimentos em máquinas e equipamentos por meio do BNDES e bancos oficiais, mas alertamos para a necessidade urgente do setor de caminhões desenvolver um novo modelo de negócios e financiamento que não seja tão dependente do FINAME, pois esta ferramenta deverá sofrer alterações nos próximos anos.

  1. Direção do Governo para que o BNDES fomente agronegócio e agroindústria, com tendência a reduzir a parcela destinada ao financiamento de caminhões em médio e longo prazos.
  2. Sinalização para que o BNDES se torne um banco alinhado com as regras de competição do mercado, reduzindo a dependência de aportes do Governo e buscando caminhar pelas “próprias pernas”.
  3. Aumento das taxas praticadas para reduzir a necessidade de subsídios na equalização contra as taxas de mercado.

A tendência para os próximos anos é que o BNDES se dedique mais ao desenvolvimento da agroindústria e equipamentos de construção, mineração e setores produtivos e industriais. Para veículos, os financiamentos tendem a seguir regras normais do mercado financeiro e as equalizações de taxas devem ficar sob responsabilidade dos bancos das montadoras.

LogísticaOs programas de investimento em logística dependerão de parcerias privadas e enfrentarão entraves burocráticos e licitatórios. Prioritariamente, foco para concessões de rodovias e portos (beneficiando diretamente o agronegócio). Quanto aos projetos para ferrovias, devem enfrentar resistência e burocracia no aspecto das licenças ambientais, algumas intransponíveis. Os planos para ferrovias devem atrasar, desmotivando investidores. 

BASES HISTÓRICAS PARA VISÃO FUTURA

O mercado automotivo brasileiro cresceu 166% em 10 anos 2003-2012 acompanhando a expansão da economia mundial puxada pela China. Em 10 anos seguidos e ininterruptos de crescimento foram vendidos 26 milhões de veículos novos no Brasil. Os anos de 2013 e 2014 acusaram a retração econômica e os efeitos da desaceleração chinesa, mesmo assim representaram, respectivamente, o 2º. e 5º. melhores anos da indústria no País (em volume de vendas). No total, entre 2003 e 2014 foram vendidos 33 milhões de unidades (on-road).

Principais fatores que impulsionaram o setor automotivo no Brasil 2002 – 2014 são:

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  • Estabilidade econômica (inflação controlada e juros baixos)
  • Disponibilidade de crédito e financiamento
  • Baixo índice de desemprego por um longo período
  • Inserção social e crescimento das classes ABC na economia (de 33% para 67%)
  • Aumento de trading terms do País (atingindo 1,35)
  • Expansão contínua do agronegócio e da agroindústria
  • Programas de fomento: Pro-caminhoneiro, Moderfrota, PSI (juros fixos)
  • Fortalecimento dos setores de comércio e serviços
  • Expansão das exportações de commodities agrícolas e minerais
  • Expansão das Reservas Internacionais: US$ 20 bi (2003) à US$ 370 bi (2012)
  • Conquista do grau de investimento (2008)
  • Chegada dos newcomers 2008 – 2013
  • Lançamento de novos modelos
  • Estabilidade cambial

Nota: Muitos newcomers desenvolveram seus estudos de negócios para o Brasil entre 2009 e 2011 com o dólar abaixo de R$ 2,00 e se mostraram inviáveis a partir de 2013, expondo uma das fragilidades do Programa Inovar-Auto.

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Ao final da década passada o setor automotivo projetava um mercado doméstico de cinco (05) milhões de veículos na 2ª metade desta década (2016-2018). Chegamos à metade da década (2015) e o mercado total contabilizou apenas 50% das projeções anteriores. As razões para essa retração foram:

  • Desaceleração da China a partir de 2012
  • Reversão Trading Terms 0,85 – 1,35 – 1,00 – 0,95
  • Queda em valor das commodities agrícolas e minerais (desaceleração da China)
  • Aumento dos juros, desvalorização cambial
  • Aumento da inadimplência e seletividade nas concessões de crédito
  • Incertezas na empregabilidade e na capacidade de pagamento
  • Exigência de novas tecnologias (diesel – Proconve 7)
  • Restrição de recursos e repasse para financiamento (bancos estatais)
  • Suspensões seguidas do Finame PSI
  • Desestabilização política, enfraquecimento do Governo, déficit público
  • Queda nos índices de confiança do consumidor, indústria, comércio e serviços
  • Encolhimento do PIB.

china flagProjeções e considerações da MA8 sobre a China

A China cresceu na década passada sustentada por política interna e matriz econômica pautada na ausência de financiamento doméstico para consumo, mas com elevada taxa de poupança, fomento à produção e investimentos em logística e infraestrutura. O país tinha reservas cambiais no início da década passada no valor de US$ 330 bilhões e em 2013 contabilizava reservas 10 vezes maiores (US$ 3,4 trilhões). A gestão interna da economia chinesa é técnica, com sólido planejamento de longo prazo.

  • Ao assumir o poder em 2013, Xi Jinping oficializou o novo plano para mudar a matriz interna econômica, alertando que o país não mais cresceria a taxas de 2 dígitos e indicou que o crescimento médio em dez anos não deveria ultrapassar a casa de 7% a 7,5% aa. Com isso ele cumpriria a promessa de praticamente dobrar o PIB chinês em dez anos, sob uma nova matriz interna.
  • A desaceleração econômica efetiva da China iniciou em 2012 e em 2015 a China começou a mudar sua matriz interna.
  • Entendemos que a economia chinesa ainda trará insegurança global em 2016/2017, apresentando ondas de euforia e depressão na economia (quedas e altas expressivas nas Bolsas, com aumento de custo variável de produção local). Radar: A China possui mais de US$ 3,1 trilhões em reservas e controle econômico.
  • A partir da 2ª metade de 2017 a China deve voltar a crescer sob a nova matriz que prioriza financiamento interno, consumo e prestação de serviços, com desenvolvimento de novas competências.
  • O mercado doméstico da China deve atingir o volume anual de 30 milhões de veículos até o final desta década.
  • Os custos de mão-de-obra chineses tendem a aumentar gradativamente.

Radar: O desafio chinês é manter sua competitividade e vocação à exportação, ao mesmo tempo que o governo chinês quer transformar sua moeda (Yuan) em ativo de reserva e troca internacional.

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Uma nova onda de crescimento global

O mundo pode ter uma segunda grande onda de crescimento a partir de 2018, com a China sob nova matriz (2ª onda chinesa) e desta vez, com a economia dos EUA também em crescimento.

  • Importante ressaltar que na década passada, enquanto a China puxou o crescimento global e principalmente as exportações do Brasil em commodities agrícolas e minerais, elevando os preços internacionais, os EUA haviam entrado em recessão (2008).
  • A nova onda de crescimento global a partir de 2018 pode trazer a China e os EUA crescendo juntos pela primeira vez na história recente. Com isso, países emergentes e fornecedores de commodities agrícolas e minerais deverão novamente se beneficiar da demanda. O Brasil pode experimentar uma nova elevação em seus índices de trading terms.
  • O Brasil poderá se beneficiar novamente a partir de 2018, de uma situação similar à que ocorreu na década passada. Apesar disso os investimentos estrangeiros (FDI) não deverão retornar ao Brasil na mesma intensidade vista entre 2006 e 2012, uma vez que um país prioritário de destino dos novos investimentos entre 2016 e 2020 deve ser o México, devido à atratividade do mercado norte-americano, principalmente para o setor automotivo que voltará a crescer no período.

Nota: Barreiras de importação de veículos nos EUA podem ser implementadas prejudicando a economia mexicana.

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Projeções

O ano de 2016 deverá contabilizar um volume de vendas no mercado doméstico de aproximadamente 2 milhões de unidades (podendo ficar um pouco abaixo desse número). Para 2017 não são esperados saltos de crescimento, mesmo que a economia retome o ritmo de expansão com a estabilidade fiscal, cambial e inflacionária.

Segundo especialistas, a taxa de câmbio pode retroceder ao limite inferior de R$ 2,90 / US$ 1,00 no início de 2017, caso o Governo interino seja confirmado no cargo em setembro 2016.

Não projetamos significativa expansão de vendas de carros no mercado doméstico para os próximos 18 meses, mesmo que haja disponibilidade de crédito e financiamento. O aumento da taxa de desemprego não apresentará tendência consistente de reversão e não deve haver disposição do consumidor em assumir financiamento de médio e longo prazos nesse período. Em adição, a seletividade dos agentes financeiros na concessão de crédito deve permanecer durante 2016 e 2017.

Em termos de volume doméstico, o mercado total brasileiro de veículos on-road (excetua-se máquinas e equipamentos) apresenta resistência grafista para exceder o volume de 3 milhões de unidades por ano antes do final desta década.

As projeções dessazonalizadas da MA8 apontam que os volumes de vendas domésticas no Brasil de 2012 (3.8 milhões de unidades) somente seriam repetidos após 2025 (um vale de mais de 10 anos). Essa tendência poderá ser acelerada caso tenhamos uma expansão consistente, por três anos consecutivos, da economia global com aumento real de preços internacionais para as commodities agrícolas e minerais (as quais continuarão representando mais de 53% das exportações brasileiras, incluindo a agroindústria).

Nota: A MA8 projeta crescimentos dessazonalizados lineares e regressivos, que indicam apenas uma tendência, a qual ao final de um período pode ser dimensionada por um índice percentual. Contudo, o cenário provável de crescimento em um período longo (acima de 4 anos) é para o modelo “dente-de-serra”.

EMPREGOS NO SETOR AUTOMOTIVO

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O total de empregos diretos no setor automotivo on-road e off-road cresceu em anos recentes, acompanhando o aumento da produção local e a entrada no mercado brasileiro de newcomers com novas unidades de manufatura. O ano de 2013 representou a maior quantidade de empregos diretos (atingindo 160 mil). A MA8 calcula que o atual parque produtivo (montadoras incluindo máquinas agrícolas e construção) possui um piso mínimo operativo de 105 mil postos diretos de trabalho, já inclusas as operações dos newcomers.

Excluindo-se as operações de fabricação de máquinas, o setor automotivo (carros, caminhões e ônibus) conta atualmente com um excedente de até 15 mil postos de trabalho direto com o atual cenário de demanda.

05/agosto/2016

Download da parcela divulgada do estudo em PDF pode ser feito acessando o link

Estudo MA8 – Setor Automotivo – Planejamento (V1)

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