A confusão com as baterias nos carros elétricos pode estar só começando

A corrida para produção de carros e caminhões elétricos já está em curso, mas a confusão das tecnologias das baterias ainda não entrou em cena.

O atual pacote de baterias íon de Lítio, pesado, grande, que requer sistemas sofisticados de refrigeração interna e ainda apresenta algum risco, será a primeira peça a ficar obsoleta nos veículos elétricos nos próximos anos, mas qual tecnologia irá substituí-la? Bateria em estado sólido? Talvez, mas não tão cedo.

Pode ser que, antes das baterias solid-state tornarem-se comercialmente viáveis, as atuais baterias com eletrólitos “líquidos” subam mais um degrau na escala da evolução, migrando da atual tecnologia íon de Lítio para uma nova célula metal-Lítio.

Uma equipe de pesquisas em Dalhousie University, Canadá, revelou estudos avançados para configurar células de íons de Lítio mais densas em energia, que poderiam desviar o foco das pesquisas de baterias no estado sólido. A equipe é conduzida por Jeff Dahn, que trabalha nas baterias de íon de Lítio desde que foram inventadas.

Foram os seus estudos que viabilizaram comercialmente essa tecnologia, portanto, quando ele apresenta um novo conceito, a comunidade internacional presta muita atenção.

Células com ânodos de metal e Lítio são vistas como a tecnologia futura mais viável, com maior densidade de energia do que as baterias íon-Lítio existentes. As novas células de “bolsa de metal de Lítio” têm maior densidade e maior vida útil (estima-se que pode chegar a 70% a mais). O que não deve mudar muito é o tamanho e o peso desses pacotes (hoje, as baterias dos carros elétricos pesam entre 400kg e 600kg). Espera-se que as futuras baterias em estado sólido tenham seus pesos e dimensões reduzidos em até 60% e o dobro da densidade de carga.

Se o conceito metal de Lítio avançar, qual tecnologia de bateria para veículos elétricos prevalecerá nos próximos anos? Alguns especialistas dizem que as próprias baterias em estado sólido ainda demorariam muito tempo para serem comercialmente viáveis, enquanto algumas montadoras já definiram datas para lançar seus carros elétricos com as novas baterias solid-state.

Qual o problema para quem compra um carro elétrico agora?

Bem, para aqueles que mais vale um gosto que dinheiro no bolso, nenhum problema, mas para os que se preocupam com o valor de revenda de seus veículos usados, depois de alguns anos, alguns problemas à vista.

É certeza que os atuais veículos elétricos estarão obsoletos até o final da década e as fabricantes precisarão criar sistemas de recompra de usados, ou pacotes de atualização desses veículos, se quiserem assegurar a existência do mercado.

Sem isso, muitos compradores terão dificuldade em fazer uma segunda compra, sem ter que vender seus carros elétricos usados com super desvalorização.

As novas baterias tendem a custar menos nos próximos anos, mas há uma corrente de especialistas que prefere esperar o fim do primeiro ciclo, para ter certeza que o mercado consumidor não sofrerá uma onda retrô, demandando novamente veículos com motores a combustão interna. Nesse caso, vale lembrar que a tecnologia com ignição em plasma nos atuais motores de ciclo Otto, também está em avançado estado de desenvolvimento, gerando maior eficiência e redução nas emissões de óxido de nitrogênio (NOx) em até 50%.

Assim, pode ser que os atuais veículos com motores a combustão interna venham a ter uma boa sobrevida e os elétricos patinem ainda um pouco mais na largada.

Orlando Merluzzi

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