Carros elétricos: O Brasil fora da rota de instalação de “Gigafactories” de baterias, ao menos por enquanto.

GIGAFACTORY

As projeções conservadoras das agências internacionais de energia apontam que em 2030, as vendas de carros elétricos não chegarão a 30% do total de veículos vendidos no mundo, enquanto as projeções mais otimistas acreditam que podem chegar a 40%. Mixando os dois cenários para desenvolvimento sustentável (o real e o otimista), o mundo deve vender entre 33 e 37 milhões de veículos elétricos em 2030, sendo um-terço disso na China. Serão necessárias muitas dezenas de megafábricas de baterias até o final desta década, para entregar algo como 3.400 GWh por ano e suprir a produção anual de veículos novos, além da demanda do ‘aftermarket‘ para baterias (muitos se esquecem do ‘aftermarket‘ nessas projeções).

Hoje, o mundo possui capacidade perto de 700 GWh e já estão planejadas fábricas para adicionar 1.700 GWh até 2030, sendo que metade delas ainda estão apenas no papel, sem maiores detalhes. A princípio, vai faltar capacidade de produção de baterias, mas contando com novos planos que devem sair do papel nos próximos anos, deveremos ter capacidade suficiente de baterias para produzir os 35 milhões de veículos elétricos em 2030 e ainda atender o pós-venda. Assim, dois-terços dos veículos vendidos em 2030 ainda serão movidos com motor a combustão. Agora, passando a régua em tudo isso:

Nos últimos seis meses o preço do Lítio subiu 327%. Faça suas projeções para o preço das baterias dos carros elétricos nos próximos dez anos, considerando apenas dois fatores:

1) Será necessário a construção de dezenas de “Gigafactories” nesse período, cada uma com investimento superior a um bilhão de dólares e todo investimento novo tem que ser pago;

2) A demanda pelo Lítio vai aumentar muito, mas muito, principalmente porque as novas baterias em estado sólido usam mais Lítio que as atuais baterias íon de Lítio com eletrólitos líquidos.

Para refletir: você acredita que os preços dos carros elétricos irão baixar no futuro? Vou adiantar a resposta para você: Nenhuma chance! Business is business!

Obs: O Brasil não tem nenhum projeto “firme” de construção de uma “Gigafactory“; apenas divulgações e conjecturas sem qualquer sustentação (nem projeto nem “funding“).

Orlando Merluzzi  (*) 


Fontes: IEA, BloombergNEF, MA8 Consulting


(*) Sócio da MA8 Management Consulting, conselheiro de administração e especialista em gestão e governança, atua no setor automotivo há 37 anos, dos quais, 30 anos dedicados ao relacionamento entre montadoras, concessionárias e associações de marca. É autor do livro Potência Corporativa ©2017-2021.

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