Carros Elétricos: sem a Alemanha não haverá acordo na Europa.

O Parlamento Europeu terá dificuldades para banir os carros elétricos em 2035. Entenda o cenário.

think twice ESG Portal oleodiesel

Será o fim dos carros com motores de combustão movidos a diesel e gasolina em 2035 na Europa? Não, sem a Alemanha a chance é “zero”. Um esclarecimento aos profissionais do setor automotivo que manifestaram preocupação quanto à aprovação preliminar do Parlamento Europeu, na semana passada, sobre a ideia de banir os motores a combustão em 2035, bem como aos colegas que manifestaram entusiasmo com a notícia.

O que foi aprovado foi a ideia de um texto de lei que ainda precisa ser negociado com os países membros. A aprovação não foi unânime; foram 339 votos a favor, 249 votos contra e 24 abstenções. Para complicar um pouco, a Alemanha é contra a proposta da forma que foi estruturada e a chance dessa lei de avançar sem um “Ok” da Alemanha é “nenhuma”.

A agência Reuters informou que grupos da indústria, incluindo a associação automobilística alemã VDA, pressionaram os legisladores para rejeitarem a meta de 2035, que, segundo eles, penaliza os combustíveis alternativos de baixo carbono (é o caso do nosso etanol) e é muito cedo para se comprometer, dada a implantação incerta da infraestrutura de recarga.

Os Estados Unidos estão fora de tudo isso, afinal, business is business.

Teremos muito tempo ainda e até lá, muita coisa vai mudar. A tecnologia dos carros elétricos só poderá ser imposta por lei, depois que chegarem as baterias em estado sólido (SSB) e elas mostrarem-se viáveis comercialmente.

Carros elétricos e híbridos plug-in representaram 18% dos carros novos de passageiros vendidos na União Europeia no ano passado.

A redução da “pegada de carbono” conflita com boas práticas ESG, no caso dos carros elétricos

As pressões contrárias também já começaram a tomar corpo, devido às questões que afetam práticas ESG (ver a imagem). Uma coisa é a redução da pegada de carbono a partir das emissões nos escapamentos dos carros (carro elétrico nem tem escapamento), outras são a responsabilidade social, os direitos humanos e os impactos ambientais na cadeia que extrai os minerais nobres, processa e produz as baterias dos carros elétricos, em situações piores do que a própria extração do petróleo e gás. Um grande desafio para o setor equacionar.

Orlando Merluzzi (*)


(*) Sócio da MA8 Consulting, consultor de empresas, conselheiro independente e especialista em gestão, governança e planejamento estratégico, atua no setor automotivo há 37 anos.

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