Os planos para banir a produção de carros com motor a combustão irão atrasar.

  • A escalada do índice de preços do Lítio, no mundo, está só no início e sugere que os planos de alguns países para banir a produção de carros com motor a combustão, irão atrasar (bastante).

Preço do Lítio

Atualmente, 10% da produção mundial de veículos é de carros elétricos e isso já foi suficiente para fazer o preço do Lítio explodir, subindo mais de 1.000% em dois anos. Imagine o cenário no ano de 2030, quando dizem as bolas de cristal dos gurus automotivos, que a produção anual de elétricos ultrapassará 50% do total.

Que ninguém se engane, não há tecnologia viável e segura de bateria para carros elétricos puros, que não utilize Lítio e todas as outras tecnologias alternativas em desenvolvimento, não passam de experiências de laboratório. As mais viáveis e interessantes comercialmente, que devem entrar em produção regular em poucos anos, são as baterias em estado sólido (SSB). Elas serão menores, mais densas, mais seguras, terão maior autonomia e usarão o dobro de Lítio.

Junto com a escalada de preços do Lítio, o preço dos outros elementos nobres e metais terras raras, presentes nos carros elétricos, também irão subir. “Business is business; commodity is commodity”. Assim, para que os planos de aumento de produção dos veículos elétricos se concretizem no futuro, será necessário combinar com os países que produzem Lítio ou possuem grandes reservas, um tipo de “OPEP-Lítio” composta por Chile, Argentina, Austrália, Bolívia, EUA e China. Não há extração, processamento e produção suficiente de Lítio para atender a demanda futura; serão necessários grandes investimentos também nessa área, além dos investimentos nas novas tecnologias de veículos e baterias.

Investimento precisa ser pago e não espere por queda de preços dos carros elétricos no futuro, sem um “downgrade” no conteúdo do produto.

O Brasil está fora desse jogo de “fornecimento de matéria prima” para a mobilidade elétrica, mas o país pode ser protagonista na sustentabilidade ambiental, energia limpa e renovável, com a força e potencial do setor sucroenergético, basta vontade, diplomacia e menos ideologia improdutiva. Um setor estratégico como o automotivo, que representa 6% do PIB (incluindo o aftermarket), merece mais atenção e respeito.

Orlando Merluzzi (*)


(*) Sócio da MA8 Consulting, consultor de empresas, conselheiro de administração, palestrante e especialista em gestão e estratégia de negócios, atua no setor automotivo há mais de 37 anos. 


 

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