Mudanças na “dança do market share” no mercado de caminhões e no segmento estendido dos comerciais vocacionais.

A DANÇA DO MARKET SHARE CAMINHÕES VOCACIONAIS MARÇO 2022

O fechamento do 1º trimestre de 2022 no segmento estendido de Veículos Comerciais Vocacionais no Brasil indica tendência de alterações na “dança do market share”. A IVECO atingiu, pela primeira vez, participação acima de 10% no grande mercado(*) ver abaixo, marcando boa presença, também, nos segmentos médio e semipesado. A VOLVO é consolidada na 3ª posição geral, com um desempenho excelente a partir de veículos semipesados e pesados. A DAF segue o curso de crescimento regular e constante, enquanto no G2 a VW/MAN e a MERCEDES continuam somando 50% de todo o mercado, numa disputa particular pela liderança que já dura vinte anos.

É a evolução do segmento estendido vocacional, calculado pela MA8, o qual inclui o segmento Sub-3,5ton (furgões de carga ≥ 8m³ e chassis-cabine entre 3,0t e 3,5t, com rodagem traseira simples e motor diesel acima de 2.0L), mais o segmento ANFAVEA de Caminhões ≥ 3,5ton, que define aquilo que chamamos de “Franquia Blue-Chip” em fundo de comércio, base para “valuation“.

As marcas com volume de vendas concentrado em caminhões semipesados e pesados possuem ticket médio maior em produtos e absorção de pós-venda e isso reflete diretamente no valor das franquias (concessionárias). Vamos acompanhar para ver como se comportam as linhas desse gráfico no próximo trimestre. Dois desafios são iminentes:

  1. A IVECO tem o desafio de se manter nesse nível e confirmar que assumiu, definitivamente, o lugar da FORD. Com seus novos lançamentos e line-up completo a empresa tem boa oportunidade de se manter e até crescer.
  2. A SCANIA tem o desafio de recuperar a sua posição histórica, afinal 6% de market share não é o lugar dela, mesmo atuando apenas nos segmentos pesados e extrapesados.

A DAF, cedo ou tarde poderá cruzar algumas linhas desse gráfico, conforme introduzir novos modelos em segmentos nos quais ainda não está. Dependerá da ambição dos americanos da Paccar em ampliar sua estratégia no Brasil para a marca holandesa.

Não há espaço para novas marcas no país.

A combinação do gráfico, com um tamanho potencial de mercado que não atinge 200 mil unidades por ano (acima de 3.0 ton), demonstra a dificuldade e as barreiras para a entrada de uma nova marca de caminhões no Brasil. Produzir localmente, montar rede de concessionárias, criar parque circulante, adquirir absorção de pós-venda e enfrentar a reação das marcas locais, ainda tendo o risco da rejeição do mercado, é uma tarefa que custa muito dinheiro e se tem uma coisa que os CFOs das montadoras globais sabem fazer, é conta. 

Orlando Merluzzi


#caminhões

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