A eletrificação e os emissores de CO2 na atmosfera.

Veículos elétricos colaboram pouco na redução da pegada de Carbono e gases de efeito estufa.

VILÕES DO AQUECIMENTO GLOBAL

Não se iluda com promessas empolgantes de redução da pegada de carbono com a chegada dos carros elétricos. Os carros de passeio, no mundo, representam menos de 9% na emissão total de CO2 e os caminhões e ônibus, representam pouco mais de 7%. Juntos, carros e veículos pesados emitem aproximadamente 16% do dióxido de carbono na atmosfera, por meio de seus “escapamentos”. O segmento de transportes responde por 22% da emissão de CO2 e ele também é composto por aviões, trens, navios e outros equipamentos (veja o gráfico).

Seu impacto na composição dos gases de efeito estufa é ainda menor, pois o CO2 está presente em 75% dos GEE. É certo que o tempo de permanência na atmosfera do CO2 é diferente do metano e do óxido nitroso, mas o setor de Transportes não é o vilão. A redução da pegada de carbono, por meio do banimento dos motores a combustíveis fósseis, tem sua importância na causa, mas terá pouco impacto efetivo na questão dos gases de efeito estufa.

Há um frisson pelos carros e caminhões elétricos e poucas pessoas fazem as contas, devidamente. Daqui a duas décadas, estima-se que mais da metade das vendas de carros no mundo será de elétricos (se houver gigafactories suficientes para produção de baterias, o que, até agora, nenhuma entidade crível do setor conseguiu dizer, como será possível atingir capacidade superior a 10.000GWh, ou 10TWh, no mundo em vinte anos e como tudo isso será financiado). Hoje, a capacidade global é de 700GWh. Porém, supondo que as previsões estejam certas, a redução da pegada de carbono, por causa dos veículos elétricos, exercerá efeito inferior a 10% nos gases de efeito estufa e ainda restarão mais de 90% de CO2 provenientes de outras atividades, para serem administrados em discursos e conferências de líderes globais e ambientalistas.

Uma observação em relação a emissão de CO2 no mundo. China, Estados Unidos, Índia e Rússia são responsáveis por mais de 55% do dióxido de carbono emitido na atmosfera nos últimos dez anos. O Brasil ocupa a décima-segunda posição, com menos de 2%, atrás do Japão, Coréia do Sul, Indonésia, Iran, Arábia Saudita, Canadá e Alemanha, países que emitem mais CO2. Os dados são do IEA e Banco Mundial.

Os carros elétricos são produtos espetaculares em termos tecnológicos e ainda irão evoluir muito nos próximos anos, mas para ligá-los às questões de ESG e sustentabilidade ambiental há um enorme abismo de compreensão de conceitos e entendimento dos processos produtivos e tecnológicos.

Aqui no portal oleodieselnaveia, já publiquei matérias sobre os impactos da produção das baterias dos carros elétricos no meio-ambiente, agravados, em alguns países, por questões de direitos humanos, em decorrência da extração e processamento de Lítio, Níquel, Cobre, Manganês, Cobalto, outros elementos nobres e metais Terras Raras. Guardadas as devidas proporções, em volume de produção, a extração do petróleo e gás causam menores danos ao meio-ambiente e a maioria dessas empresas obedecem a princípios de governança e responsabilidade social comprovados, por serem empresas de capital aberto.

De toda forma, devemos considerar os carros e caminhões elétricos como uma evolução tecnológica sem volta e um produto com elevada eficiência.

O “chart” acima é para ser lido nas entrelinhas, livre de emoções.

Orlando Merluzzi (*)


(*) Sócio da MA8 Consulting, consultor de empresas, conselheiro independente de administração e especialista em gestão e estratégia de negócios, atua no setor automotivo há mais de 37 anos. 


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